A expedição pelos trilhos do Rio Santana ao Pelotas foi uma iniciativa para matar a curiosidade de conhecer a ferrovia no trecho da serra do Rio Pelotas, repleta de túneis, viadutos e pontes.

Eu e mais 3 amigos resolvemos fazer esta trilha diferente, caminhar cerca de 20 Km, ida e volta pelos trilhos do trem no trecho da ponte do Rio Santana até o Rio Pelotas, divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, no município de Vacaria – RS.

Esse trecho é muito lindo, trecho de serra com matas virgens, onde é preciso passar por 2 pontes, 1 viaduto e 5 túneis, um deles com mais de 1 Km de extensão.

Ponte ferroviária do Rio Pelotas
Refúgio da ponte ferroviária do Rio Pelotas

A ponte do Pelotas é muito alta, em torno de 100 metros, é estreita e sem muretas de proteção, existem apenas refúgios a cada uns 50 metros para escapar, caso o trem venha.

Túnel 43 - Ferrovia VacariaA dificuldade desta caminhada é o terreno irregular dos trilhos. Ou se caminha por cima dos dormentes com passos curtos ou ao lado pelas pedras.

Ponte ferroviária do Rio Santana - Vacaria
Ponte ferroviária do Rio Santana

Partimos de Vacaria pela BR-116 e uns 20 Km pra frente entramos numa estrada de terra que leva até a beira do Rio Santana. Foram mais 2 amigos que ficaram assando uma carne enquanto partimos para caminhada. Levamos lanternas, água e lanches.

Mapa da expedição pelos trilhos do Rio Santana ao Pelotas


Havia olhado imagens do local no Google Earth. Teríamos que seguir por trilhas até encontrar a linha do trem. Só que este trecho está coberto por plantações de pinheirinhos entre um labirinto de estradas entre as árvores, sem visão para os lados. Seguimos pela principal até terminar a plantação e nada dos trilho.

Viaduto ferroviário na Serra do Pelotas - Vacaria
Viaduto ferroviário na Serra do Pelotas

Chegamos numa chácara e resolvemos pedir informações e por coincidência o caseiro era conhecido, já havíamos passado, então encilhou seu cavalo e nos conduziu entre os pinheirinhos até a cabeceira da primeira ponte, havíamos passado por cima de um túnel, por isso não percebemos.

Túnel 40 - Ferrovia VacariaA travessia dos túneis é um caso a parte. A luz vai sumindo aos poucos, principalmente nos túneis em curva, a visibilidade fica zero, só o foco da lanterna na escuridão. O viaduto também é muito interessante, pois passa por cima da mata fechada na serra. E enfim no final de um túnel, o nosso objetivo alcançado, a Ponte do Pelotas.

Ponte ferroviária do Rio Pelotas - VacariaA visão é linda, a mata nos morros nos 2 lados e o rio no meio, a altura assusta, pois não tem mureta, só nos refúgios. Tiramos muitas fotos, atravessamos a ponte, fizemos um lanche em baixo dela e voltamos.

Estrutura da ponte ferroviária do Rio Pelotas
Estrutura da ponte ferroviária do Rio Pelotas

Na volta pegamos carona por uns 2 Km na “Butuca”, veículo especial, usado para manutenção da ferrovia.

Butuca na ferrovia em Vacaria
Butuca: Veículo que auxilia na manutenção da ferrovia

Chegamos no acampamento, comemos um churrasco e fomos tirar umas fotos no Rio Santana. Fui alcançar a câmera digital ao meu amigo, quando elo pegou, enroscou a alça na minha mão e cai na água. Era uma área rasa do rio, juntei rapidamente, ficou ensopada.

Deixei aberta ao sol um tempo, tentei ligar e não funcionou. Pronto, perdi todas as fotos (pensei). Cheguei em casa, desmontei, deixei umas 2 horas na frente do ventilador, montei novamente e fiquei feliz, pois voltou a funcionar e as fotos estavam todas intactas.

Para quem gosta de caminhadas, a expedição pelos trilhos do Rio Santana ao Pelotas é uma aventura que vale muito a pena.

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8 COMENTÁRIOS

  1. meu pai ajudou a construir esta ponte, e nós brincávamos nela, antes de ser concluída, nadávamos no rio, nosso parque de diversão! saudades deste tempo……

  2. Caros amigos, parabéns pelo belo passeio que fizeram e pela coragem em enfrentar a caminhada. Que fotos sensacionais! Parabéns. Fiquei realmente impressionado, pois aquele viaduto (V-17) e os dois últimos túneis até a ponte depois dele, o T22 e o T23 (na época era essa a numeração, hoje me parece que são 38 e 39) que vocês passaram nessa caminhada, são bem meus conhecidos.
    Com 20 anos incompletos, me formei Sargento de Engenharia, na EsSA (Escola de Sargentos das Armas) em 1963 e fui transferido para Vacaria, no 3º Batalhão Rodoviário. Em março de 1964 fui para a 3ª Cia, sediada no Rio Santana e, no outro dia, fui morar à beira do Rio Pelotas, num barraco de madeira, uma antiga enfermaria, que veio de outra Cia e foi reconstruída ali. Durante quase três anos, chefiei as turmas de trabalho, mais de 100 pessoas, abrindo aqueles dois túneis e cuidando da abertura das cavas dão viaduto. Os que deveriam ser os melhores anos da minha vida, passei enfurnado naquelas serranias. Só saía de lá no final de semana, isso quando dava.
    Peguei a enchente que derrubou a ponte rodoviária em 18 Ago 1965 e fiquei com 23 famílias flageladas naquela serras, sem recursos, isolados da sede da Cia e sem comunicação, porque em seguida vieram 4 dias de nevadas. O primeiro boião nosso foram galinhas mortas na enchente. Nunca mais tive oportunidade de voltar lá. Tentei chegar até o Rio Santana, mas não consegui. Hoje tem as instalações da DOUX na proximidades.
    Bem , tem tantas histórias pra contar que estou colocando-as e um livro "Muito Além dos Caminhos", onde resgato todas elas, vividas durante o tempo em que lá permaneci. Faço o livro por minha conta, uma produção independente, com meus próprios recursos. A ideia é resgatar as histórias da malha ferroviário do TPS. Pois há muitas histórias humanas em que valorizo e presto homenagem, àqueles que trabalharam naquelas grotas do "Fim do Trecho" como era conhecida a nossa Residência.Tenho poucas fotos particulares, pois não havia máquinas fotográficas a disposição na época. Por isso, desejo saber se posso utilizar algumas fotos suas no meu livro, com os devidos créditos, obviamente. Caso haja ressarcimento, eu o faço, pois as suas fotos valem.
    Tenho 67 anos e , na reserva do EB, tenho como hobby escrever, já fiz 4 livros, sendo o último "Trincheiras Abertas", lançado em 2007 pela Livraria Cultura. Agora trabalho nesse que pretendo lançar ano que vem. Aguardo, pois, com expectativa sua resposta.
    Mais uma vez meus parabéns pelas fotos! Aguardo contato. Abraços. Emerson
    Meu contato: Emerson Rogério de Oliveira
    E-mail: emersonroli@terra.com.br
    Telefones: (51) 3341-6747 e Cel (51) 9913-3799

  3. Osmar Azevedo e Serginho Batista, acredito ter recebido um link infectado. Solicito entrar em contato pelo telefone.Preciso o telefone do Marcelo Boff dos Santos e FabianoM. para falar sobre as fotos.Pretendo colocar no livro sobre a malha ferroviaria TPS. Muito obrigado e um abraço.
    Emerson Rogério de Oliveira. Fone: 51 99133799

  4. O livro escrito pelo Emerson Rogerio de Oliveira é de obrigatória leitura por quem gosta do assunto ferrovia, ele retrata o dia a dia da construção do TPS.
    Fico muito feliz de ter colaborado com informações.

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