Trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas

Saiba tudo sobre o trekking pela ferrovia do ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas

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Ponte Ferroviária do Rio Pelotas
Ponte Ferroviária do Rio Pelotas

A trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas não é um roteiro turístico definido, mas sim, uma verdadeira aventura em um local pouco conhecido.

O trecho de caminhada do ponto de acesso até a ponte tem cerca de 20 Km (ida e volta).
Inicia num trecho de estrada entre os pinheirinhos, e segue pela ferrovia um pouco antes da ponte do Rio Santana até a ponte do Rio Pelotas, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.

Fizemos esta caminhada 2 vezes.

  • A primeira foi em janeiro de 2009, pela curiosidade de conhecer a ferrovia no trecho da serra do Rio Pelotas, entre Vacaria-RS e Lages-SC, repleta de túneis, viadutos e pontes.
  • A segunda vez foi em dezembro de 2020, onde convidei outros amigos e fizemos imagens com drone.
Viaduto ferroviário em arco - Bom Jesus - RS
Viaduto ferroviário em arco na Serra do Rio Pelotas (dezembro de 2020)
Ponte Ferroviária do Rio Pelotas
Ponte Ferroviária do Rio Pelotas (foto de janeiro de 2009)

Linha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas

O trecho ferroviário entre Lages e Vacaria faz parte da ferrovia Tronco Sul, construído entre 1967 e 1969. Passa por paisagens belíssimas de serras e rios, especialmente o Rio Pelotas, que divide os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Ponte Ferroviária do Rio Pelotas
Ponte Ferroviária do Rio Pelotas

A ferrovia atravessa matas virgens, onde é preciso passar por 2 pontes, 1 viaduto e 5 túneis, o maior deles com 1200 m de extensão.

Em uma extensão de 6 km a estrada de ferro passa por 3 belas pontes pelo território de 4 municípios.

  • A ponte férrea do Rio Santana no Rio Grande do Sul divide os municípios de Vacaria RS e Bom Jesus RS.
  • A ponte Férrea do Rio Pelotas divide os municípios de Bom Jesus RS e Lages SC.
  • E a ponte Férrea do Rio Pelotinhas, no lado de SC divide os municípios de Lages SC e Capão Alto SC.

Hoje, trafegam por esta ferrovia, os trens cargueiros da Rumo, que passam por este trecho, geralmente à noite.

Ponte ferroviária do Rio Santana - Vacaria - RS
Ponte ferroviária do Rio Santana

Trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas

Esta trilha é muito pouco conhecida, tendo sido realizada apenas por aventureiros. Diferente, por exemplo do trecho da famosa Ferrovia do Trigo, onde fica o Viaduto 13, já explorada turisticamente.

Trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas
Cascalho e piso irregular da ferrovia

A dificuldade desta caminhada é o terreno irregular dos trilhos. Ou se caminha por cima dos dormentes com passos curtos ou ao lado pelas pedras.

Do ponto onde deixamos o carro, caminhamos 2,4 km por uma estrada em meio à mata de pinheirinhos e 7,6 km pela linha ferroviária, totalizando 10 km (20 km ida e volta).

Viaduto ferroviário em arco - Bom Jesus - RS
Viaduto ferroviário no meio da serra

O tempo de caminhada foi de 2h30 para ir (5h ida e volta). Porém, este tempo foi marcado na volta, quando fizemos apenas duas paradas rápidas e estávamos num grupo com bom condicionamento físico.

Considere mais o tempo de paradas para fotos, contemplação e de lanche. Para pessoas que não caminhe rápido, este tempo é aumentado.

Ponte do Rio Pelotas

Ponte Ferroviária do Rio Pelotas
Vista aérea da Ponte Ferroviária do Rio Pelotas

A ponte ferroviária do Rio Pelotas tem em torno de 100 m de altura e 300 m de comprimento. É estreita e sem muretas de proteção, apenas com pequenos refúgios a cada uns 50 metros para escapar, caso o trem venha.

Ponte Ferroviária do Rio Pelotas
Ponte Ferroviária do Rio Pelotas

É realmente uma grande obra de engenharia para a época que foi construída (entre 1967 e 1969), quando não se tinha a tecnologia de hoje.

Ponte do Rio Santana

Ponte ferroviária do Rio Santana - Vacaria - RS
Ponte ferroviária do Rio Santana

A ponte ferroviária do Rio Santana tem em torno de 40 m de altura e 150 m de comprimento. Fica na divisa entre os municípios gaúchos de Vacaria e Bom Jesus.

É estreita e sem muretas de proteção, também com pequenos refúgios. Este trecho do Rio Santana é marcado por corredeiras.

Viaduto em Arco na serra

Viaduto ferroviário em arco - Bom Jesus - RS
Viaduto ferroviário em arco na serra

Escondido no meio da Serra do Rio Pelotas, há um grande viaduto em arco sobre a floresta. Possui em torno de 200 m de comprimento e 50 m de altura, ligado diretamente a um longo túnel.

O viaduto atravessa um vale profundo numa área de montanhas e floresta fechada. Também não possui muretas, mas conta com alguns refúgios, local ideal para fotos.

Túneis no trecho entre o Rio Santana e o Rio Pelotas

Túnel na ferrovia em Vacaria - RS
Túnel na ferrovia em Vacaria – RS

Na travessia dos túneis a luz vai sumindo aos poucos, principalmente nos túneis em curva, onde a visibilidade fica zero, só o foco da lanterna na escuridão.

No trecho percorrido da ferrovia há 5 túneis:

  • O primeiro fica antes da ponte do Rio Santana e tem apenas 130m.
  • O segundo fica logo após a ponte do Santana há um de 230 m.
  • O terceiro túnel do trecho é o maior do trecho, com 1,2 km de extensão.
  • O quarto fica logo após o viaduto em arco, com 870 m.
  • O último fica logo antes da ponte ferroviária do Rio Pelotas e tem 420 m.
Túnel na Trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas
Túnel na Trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas

Como chegar nos trilhos de início da trilha

Esta não é uma trilha com um ponto inicial definido. Na verdade eu escolhi o local de início pesquisando no Maps o local mais acessível, sem ter certeza das condições da estrada, conforme o mapa abaixo.

O local de cesso é parte do Parque Estadual do Ibitiriá. Este parque está em fase inicial de implementação e não possui qualquer estrutura de visitação.

Estrada no Parque Estadual de Ibitiriá
Estrada no Parque Estadual de Ibitiriá

O trecho que fizemos a partir de Vacaria compreende as seguintes distâncias:

  • 30 km de asfalto pela BR-116 até o ponto de acesso à estrada.
  • 5,3 km de estrada de terra acascalhada no campo.
  • 3,1 km de estrada no meio da mata a partir do portão.
  • 2,4 km de caminhada pela estrada de mato entre os pinheirinhos.
  • 7,6 km de caminhada na linha ferroviária.

O trecho depois do portão do parque mudou bastante depois de nossa primeira visita. Está sendo retirados os pinheirinhos plantados nesta áreas e com isso foram criadas novas estradas, criando um labirinto.

Trilha no Parque Estadual de Ibitiriá
Estrada de acesso aos trilhos em meio aos pinheirinhos

Por isso, se alguém for fazer esta aventura, preste muita atenção no mapa abaixo. Veja algumas dicas da estrada de acesso após o portão.

  • Após passar o portão – na primeira encruzilhada continue na principal (à esquerda) e na segunda, não siga reto (pegue a da direita).
  • Siga até uma curva bem fechada onde há uma área de acampamento. Deixe seu carro lá e inicie a caminhada, passando logo depois pela ponte de madeira.
  • A ponte de madeira está em péssimo estado de conservação, sem condições de passagem. Caso você esteja com um 4×4, poderá passar um pouco acima por dentro do rio e seguir até a linha ferroviária.
Ponte no Parque Estadual de Ibitiriá
Ponte em mau estado no Parque Estadual de Ibitiriá

Após passar a ponte (seja a pé ou em 4×4) siga pela estrada sempre pegando à esquerda nas encruzilhadas até encontrar a linha ferroviária.

A volta será sempre por este mesmo caminho.

Mapa da trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas

Para quem gosta de caminhadas, a trilha ferroviária do Rio Santana ao Rio Pelotas é uma grande aventura que vale muito a pena.

Obs: Não incentivamos, nem nos responsabilizamos por quem for se aventurar nesta trilha. Apenas estamos relatando e mostrando nossa experiência e mais um belo lugar aos leitores.

Ponte Ferroviária do Rio Pelotas
Ponte Ferroviária do Rio Pelotas

O que levar

  • É essencial levar uma lanterna. Os túneis mais longos são em curva e a visibilidade vai a zero.
  • Vá com um calçado confortável, mas que tenha uma sola resistente. Você irá caminhar sobre cascalho grosso o tempo todo.
  • Leve lanches, chapéu, protetor solar e repelente.
  • Leve no mínimo 1,5 l de água. Um pouco à frente da ponte do Santana há dois pontos com água potável. Um onde escorre pelas rochas e logo depois uma pequena cachoeira (ambos ao lado da ferrovia).
  • Como o caminho é pela ferrovia e por estradas, é possível fazer a caminhada de calção ou shorts.

Em 2018 tivemos a oportunidade também de fazer uma viagem de trem neste trecho.

Confira como foi a Viagem de Maria Fumaça entre Vacaria e Lages

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12 COMENTÁRIOS

  1. meu pai ajudou a construir esta ponte, e nós brincávamos nela, antes de ser concluída, nadávamos no rio, nosso parque de diversão! saudades deste tempo……

  2. Caros amigos, parabéns pelo belo passeio que fizeram e pela coragem em enfrentar a caminhada. Que fotos sensacionais! Parabéns. Fiquei realmente impressionado, pois aquele viaduto (V-17) e os dois últimos túneis até a ponte depois dele, o T22 e o T23 (na época era essa a numeração, hoje me parece que são 38 e 39) que vocês passaram nessa caminhada, são bem meus conhecidos.
    Com 20 anos incompletos, me formei Sargento de Engenharia, na EsSA (Escola de Sargentos das Armas) em 1963 e fui transferido para Vacaria, no 3º Batalhão Rodoviário. Em março de 1964 fui para a 3ª Cia, sediada no Rio Santana e, no outro dia, fui morar à beira do Rio Pelotas, num barraco de madeira, uma antiga enfermaria, que veio de outra Cia e foi reconstruída ali. Durante quase três anos, chefiei as turmas de trabalho, mais de 100 pessoas, abrindo aqueles dois túneis e cuidando da abertura das cavas dão viaduto. Os que deveriam ser os melhores anos da minha vida, passei enfurnado naquelas serranias. Só saía de lá no final de semana, isso quando dava.
    Peguei a enchente que derrubou a ponte rodoviária em 18 Ago 1965 e fiquei com 23 famílias flageladas naquela serras, sem recursos, isolados da sede da Cia e sem comunicação, porque em seguida vieram 4 dias de nevadas. O primeiro boião nosso foram galinhas mortas na enchente. Nunca mais tive oportunidade de voltar lá. Tentei chegar até o Rio Santana, mas não consegui. Hoje tem as instalações da DOUX na proximidades.
    Bem , tem tantas histórias pra contar que estou colocando-as e um livro "Muito Além dos Caminhos", onde resgato todas elas, vividas durante o tempo em que lá permaneci. Faço o livro por minha conta, uma produção independente, com meus próprios recursos. A ideia é resgatar as histórias da malha ferroviário do TPS. Pois há muitas histórias humanas em que valorizo e presto homenagem, àqueles que trabalharam naquelas grotas do "Fim do Trecho" como era conhecida a nossa Residência.Tenho poucas fotos particulares, pois não havia máquinas fotográficas a disposição na época. Por isso, desejo saber se posso utilizar algumas fotos suas no meu livro, com os devidos créditos, obviamente. Caso haja ressarcimento, eu o faço, pois as suas fotos valem.
    Tenho 67 anos e , na reserva do EB, tenho como hobby escrever, já fiz 4 livros, sendo o último "Trincheiras Abertas", lançado em 2007 pela Livraria Cultura. Agora trabalho nesse que pretendo lançar ano que vem. Aguardo, pois, com expectativa sua resposta.
    Mais uma vez meus parabéns pelas fotos! Aguardo contato. Abraços. Emerson
    Meu contato: Emerson Rogério de Oliveira
    E-mail: emersonroli@terra.com.br
    Telefones: (51) 3341-6747 e Cel (51) 9913-3799

  3. Osmar Azevedo e Serginho Batista, acredito ter recebido um link infectado. Solicito entrar em contato pelo telefone.Preciso o telefone do Marcelo Boff dos Santos e FabianoM. para falar sobre as fotos.Pretendo colocar no livro sobre a malha ferroviaria TPS. Muito obrigado e um abraço.
    Emerson Rogério de Oliveira. Fone: 51 99133799

  4. O livro escrito pelo Emerson Rogerio de Oliveira é de obrigatória leitura por quem gosta do assunto ferrovia, ele retrata o dia a dia da construção do TPS.
    Fico muito feliz de ter colaborado com informações.

  5. Me ficou uma unica duvida, o trem que passa por vacaria, passa nesses trilhos tambem? corre risco de encotrar ele durante a trilha? Sou de vacaria e ja to querendo fazer essa aventura

  6. Oi Jair, parabéns… Lindas fotos, sou tb de vacaria, tirei um final de semana para fazer a trilha, porém me deparei com o primeiro portão fechado, não passamos dali, é necessário pedir autorização para entrada? Forte abraço

    • Olá, Lucas, você é o segundo que relata que encontrou o portão fechado, uma pena. Nas duas vezes que fui estava aberto. Não tenho o contato para pedir autorização.

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