Viagem ao Peru – Cânion Colca, Moquegua, Arequipa e Cusco, é a terceira parte de uma aventura no Peru, de avião e carro em 8 dias.

Essa é a terceira parte do relato de nossa grande viagem ao Peru, confira as outras duas:
Roteiro de viagem ao Peru – parte 1
Roteiro de viagem ao Peru – parte 2

6º dia – De Moquegua ao Cânion Colca

Seguimos viagem, passando por paisagens fantásticas do deserto, rumo a Chivay. Impressionante, são alguns oásis existentes no local, onde passa um rio, há um grande contraste entre as cores das montanhas do deserto e o vale verde com plantações irrigadas.

Deserto entre Moquegua e Arequipa - Peru
Deserto entre Moquegua e Arequipa

Resolvemos passar direto por Arequipa, pois é a segunda maior cidade peruana e não tínhamos tempo para conhecer. Passamos por um lado da cidade e seguimos no altiplano com os vulcões Misti e Chachani, com seus 6000 metros, sempre à vista.

De carro alugado no Peru - Estrada entre Moquegua e Arequipa
Estrada entre Moquegua e Arequipa (trecho do deserto montanhoso)

Ao entrar na rodovia que leva a Chivay, começou a aparecer um pouco de vegetação, alpacas e “bofedales” (área meio alagadas do Altiplano Andino). O incrível é que já estávamos acima dos 4000 metros e continuávamos subindo. Paramos para fotos em um barranco com uma espessa camada de gelo e logo chegamos ao ponto mais alto de todas as estradas que passamos.

Gelo na estrada entre Arequipa e Chivay
Gelo na estrada entre Arequipa e Chivay

O Mirante dos Andes ou Mirante dos Vulcões, que está a 4910 metros de altitude é um ponto de parada dos viajantes, principalmente das vans que vão de Arequipa até o Cânion Colca, levando turistas, todos os dias, por isso é ponto de venda de artesanato.

Mirante dos Vulcões - 4940 m - Peru
Mirante dos Vulcões (4940 m)

É uma das passagens mais altas do mundo de onde se avista 4 vulcões nevados; El Misti, Chachani, Ampato e Sabancaya. No local há pedras com a descrição e altitude, direcionada a cada um deles.
Daí em diante iniciamos a descida até a cidade de Chivay (base para visitar o Cânion Colca). Para nossa surpresa, quando chegamos no portal da cidade, fomos barrados em uma cancela. Para entrar no vale do Colca tem que pagar 40 soles por pessoa. Fazer o quê, pagar e reclamar um pouco…

Túnel de pedra na estrada do Cânion ColcaO ideal para conhecer o Mirante do Condor, e o Cânion Colca é pela manhã, quando os enormes condores costumam sobrevoar próximo ao mirante, mas chegamos por volta das 3:00 h da tarde e não podíamos ir no dia seguinte, pois teríamos que rodar 600 km até Cusco.
Seguimos então para o mirante, os primeiros 10 km são asfaltados, mas são mais 30 km de terra, alternando trechos bons e outros ruins.

Cânion Colca - PeruPelo caminho há vários mirantes e dois túneis assustadores, escavados diretamente na terra, sem qualquer revestimento de concreto, a estrada vai subindo e o vale vai ficando cada vez mais profundo.
Chegamos no mirante, as vistas são fantásticas, dizem que é o Cânion mais profundo do mundo, atingindo mais de 3000 metros de profundidade, do topo das montanhas até o leito do rio.

Mirante do Condor - Cânion Colca - Peru
Mirante do Condor – Cânion Colca

Pela manhã o movimento é intenso, com dezenas de vans, cheias de turistas vindos de Arequipa, mas naquele horário, por volta de 16:00 h, só estávamos nós e mais 2 motoqueiros brasileiros que também se aventuravam, como nós. Conversamos com eles, apreciamos a incrível paisagem, tiramos várias fotos e por sorte, ainda vimos um condor solitário em um voo rápido. Voltamos até Chivay, onde passamos a noite.

Distância percorrida no dia = 455 km
Distância acumulada na viagem = 1335 km

Lhamas e alpacas na estrada para Chivay
Lhamas e alpacas na estrada para Chivay

7º dia – De Chivay a Cusco

A viagem do dia seria longa, 600 km até Cusco, onde queríamos entregar o carro alugado para curtir a cidade a pé, no dia seguinte. Saímos as 6:00 h da manhã, com temperatura em torno de zero grau, voltamos pela mesma estrada até Patahuasi e daí até Juliaca foi mais uma rodovia diferente, mas também com bastante altitude, onde os 2 pontos mais altos da estrada foram no Mirador Carlitos (4320 m) e Crucero Alto (4528 m).

Mirante Carlitos - 4320 m de altitude
Mirante Carlitos – 4320 m de altitude

Mais belas paisagens, formações rochosas, alpacas e vicunhas até que chegamos novamente na indesejável Juliaca, mas até que esta passagem pelo trânsito foi mais tranquila.

Estrada entre Arequipa e Juliaca
Estrada entre Arequipa e Juliaca

O caminho de Juliaca a Cusco foi sem novidades, já que havíamos passado na ida. O perrengue foi quando chegamos a Cusco. Se formou um grande congestionamento em uma das principais vias, com um acidente em um dos lados da avenida, com isso os carro que desciam começaram a vir na contramão e ficamos meia hora neste caos.

Após sair do tumulto ainda tivemos dificuldade para achar o endereço da Hertz, e quando achamos, por volta das 5:00 horas da tarde, já havia fechado a loja. Como havia um corredor que levava a loja que ficava nos fundos, entrei, abri a garagem e guardei o carro. Arrumei uma pousada bem perto e deixei para entregar a chave e fazer os acertos no outro dia.

Tomamos um banho, seguimos até a famosa Praça das Armas de Cusco e jantamos em um restaurante do centro.
Distância percorrida no dia = 600 km
Distância acumulada na viagem = 1935 km

Praça das Armas - Cusco
Praça das Armas – Cusco

8º dia – Conhecendo a cidade de Cusco

Este dia foi reservado para conhecer a cidade de Cusco, capital arqueológica da América, a 3400 metros de altitude.
Fomos cedo a locadora fazer os acertos, onde encontramos outro casal de brasileiros esperando para alugar um carro.
Seguimos agora a pé pelas ruas de Cusco, conhecendo várias igrejas, praças e muitas ruas estreitas com muralhas de pedra. Seguindo um mapa com as principais atrações da cidade, fizemos um roteiro com os mais interessantes.
A Praça das Armas (principal praça de Cusco) é provavelmente um dos lugares onde mais se misturam pessoas dos quatro cantos do mundo, assim como toda a cidade de Cusco, num impressionante e constante movimento de turistas. Recebeu em 2012, mais de 2 milhões de turistas.

Praça São Cristovão - Cusco
Cusco, vista da Praça São Cristovão

Subimos até a Praça San Cristobal, de onde se tem uma boa vista da cidade, depois seguimos para grande Mercado central de Cusco, onde se pode ter uma ideia da grande variedade de produtos agrícolas e da cultura peruana. Conhecemos várias frutas diferentes, milhos de todas a cores, grande variedade de artesanatos. O local também é um grande ponto de degustação, onde se servem sucos de todos os sabores, feito na hora e almoços típicos com preços muito baixos.

Ruas estreitas de CuscoÀ tardinha voltamos à pousada e depois fui em várias casas de câmbio até achar uma que tivesse Reais para trocar os Soles e Dólares que me restaram, deixando apenas um pouco para o táxi e algum gasto no aeroporto.

9º dia – Volta pra casa (correria nos aeroportos)

Dia de ir embora…
Tomamos nosso café tranquilamente, atacamos um táxi na porta da pousada e seguimos para o aeroporto. Fizemos o checkin, troquei o resto de Soles que tinha, e aguardamos o voo das 11:00 h, que sai com 30 min de atraso.
Como era um voo nacional e o próximo internacional, teríamos que pegar nossa malas na esteira e despacha-las novamente. Ao chegar em Lima, fomos encaminhados à alfândega, onde entregamos o papel de imigração, junto com o passaporte para dar saída do país.

Pegamos as malas na esteira e seguimos até o check-in da Lan, mas para nossa surpresa, falaram que o voo era da Tam, então tínhamos que procurar o check-in da Tam. Corremos de um lado para outro procurando percebemos que não existia balcão de atendimento da Tam, ficamos sem saber o que fazer e sem muito tempo, aí um funcionário do aeroporto nos informou que teríamos que ir direto ao portão de embarque e despachar as malas lá mesmo.

Aeroporto de Cusco - Peru
Aeroporto de Cusco

Então fomos passar pelo raio X e tivemos outro problema…, minha mala acusou alguma coisa e disseram que iam revistar. Havia levado um canivete, daqueles multi-uso e uma alicate dobrável. Já que íamos viajar muito de carro, levei para algum imprevisto. Já haviam me tomado um canivete desses em uma outra viagem, quando carregava na mochila, como bagagem de mão, não imaginava que teria que passar a mala pelo raio X, pois a mala é despachada sempre no Check-in, sem problemas.
Pronto…, me tomaram de novo. Liberados, saímos quase correndo pela imensa área de embarque até encontrar nossa portão, que era um dos últimos. Chegando lá, já estava se formando a fila de embarque, então despachamos nossas malas e respiramos aliviados…, mas ainda no corredor de embarque, uma agente peruana quis revistar nossa mochila e bolsa…, nunca havia passado um apuro desses nos aeroportos.

Voo Lima a São Paulo - Sobrevoando as montanhas, passando por um vulcão
Sobrevoando as montanhas, passando por um vulcão

Finalmente embarcamos! O voo Lima a São Paulo leva 5:00 horas, passa por cima dos desertos peruanos, Lago Titicaca, La Paz, atravessa a Bolívia, Mato Grosso e estado de São Paulo.
Por incrível que pareça, em São Paulo tivemos outro apurão, minha mala chegou quebrada e como o aeroporto está com obras gigantescas houve troca de portão, chegamos em cima da hora, de novo para o embarque.
Chegamos em Porto Alegre a 1:00 h da manhã, pegamos nosso carro no estacionamento e resolvi dirigir os 240 km e seguir direto para Vacaria, de madrugada. Chegamos as 4:30 h da manhã, muito cansados após um dia muito tumultuado.

Mas no final das contas, correu tudo bem, não pegamos chuva em momento algum e aproveitamos o máximo da viagem.

Voo de Lima a São Paulo - vista da cidade de La Paz - Bolívia
Voo de Lima a São Paulo – vista da cidade de La Paz – Bolívia

Dicas sobre a viagem ao Peru

  • Procure ir fora da época de chuvas, que é entre novembro e março, principalmente, na região de Cusco e Machu Pichu. Fui em setembro e só peguei dias de sol.
  • Se for alugar um carro no Peru, não pegue com motor muito fraco. O país é muito montanhoso, com subidas e descidas frequentes e a altitude interfere no rendimento do motor.
  • Procure ir se adaptando aos poucos à altitude. Passamos as duas primeiras noites em Ollamtaytambo (2800 m) para depois ir para regiões mais altas.
  • Ao entrar no país, você receberá um papelzinho de imigração, cuidado para não perder, pois terá que devolver na saída.
  • Para entrar no Peru, não é necessário passaporte, nem visto. A Identidade brasileira é válida, mas não pode ser muito antiga (com mais de 10 anos).
  • Se viajar pelas estradas peruanas, procure encher o tanque quando ainda estiver pela metade, as cidades e os postos (grifos, como são chamados lá) são muito distantes. Entre Puno e Moquegua, quase fiquei sem gasolina.

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Jair Prandi
Editor, fotógrafo, videomaker, e influenciador digital do Viagens e Caminhos. Apaixonado por viagens com toques de aventura, criou esse blog de viagens para compartilhar suas experiências.

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns. Espetáculo de viagem.

    Você saberia dar uma ideia dos custos desta viagem?

    (hospedagem,aluguel de carro/alimentação, ingressos etc.)

    Ou ainda, vc poderia dar o nome/site dos hotéis para que eu possa traçar mais ou menos o mesmo roteiro?

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