Relato de Viagem de carro – Chile e Argentina. Foram 8000 km de camioneta saindo do Rio Grande do Sul, atravessando a Argentina e o Chile.

Planejamento

Foram meses pesquisando mapas, imagens de satélite, relatos e sites na internet, até definir o percurso, atrações a visitar e documentação a providenciar.

Documentos necessários

  • Permissão Internacional para dirigir (exigida no Chile);
  • Seguro temporário para 15 dias (Carta Verde) exigido na Argentina e Uruguai;
  • Carteira de Identidade de todos (não pode ser muito antiga).
  • Na Argentina o veículo deve circular portando: 2 triângulos, um cabo de aço de 2 metros aproximadamente, para reboque, e estojo de primeiros socorros.
  • Nos 3 países, é obrigatório circular sempre com a luz baixa acesa.
Estrada do Vulcão Villarrica - Pucon
Estrada do Vulcão Villarrica – Pucon – Chile

Por onde passamos

Mais que uma viagem, um sonho realizado.
Foram 7800 Km de estrada em 15 dias.
Saímos de Vacaria – RS e fizemos o seguinte roteiro: Vacaria, Uruguaina (RS) Santa Fé, Cordoba, Mendoza (Arg), travessia da Cordilheira, Viña Del Mar, Valparaiso, Pucon, Valdivia, Puerto Varas (Chile), travessia da Cordilheira, Baliloche, El Chocon, Neuquen, Santa Rosa, Rosario (Arg), Paysandu, Rivera (Uruguai), Livramento, Vacaria.

Correu tudo bem na viagem, a camioneta não apresentou qualquer tipo de problema, só tivemos pequenos contratempos com a Polícia Caminera Argentina e na fronteira Argentina-Uruguai. (mais detalhes no relato abaixo).

Túneis da Ruta 7 - Cordilheira dos Andes - Argentina
Túneis da Ruta 7 – Cordilheira dos Andes – Argentina

Alguns números da viagem

  • Fomos: eu, minha esposa e meus 2 filhos de 8 e 13 anos
  • Viagem de 15 dias, atravessando o Rio Grande do Sul, 11 províncias da Argentina, 8 do Chile e 4 do Uruguai.
  • Foram 7800 Km rodados
  • 1500 Km no Brasil – 2 dias (8 pedágios)
  • 4250 Km na Argentina – 7 dias (8 pedágios)
  • 1700 Km no Chile – 5 dias (17 pedágios)
  • 350 Km no Uruguai – meio dia (3 pedágios)
  • A média de percurso, por dia, foi de 520 Km, porem em trajetos sem muitas atrações, chegamos a rodar 900 Km. Viajamos somente de dia.
  • As estradas Chilenas são perfeitas, coisa de primeiro mundo, mas com muitos pedágios.
  • As argentinas são boas, considerando que quase não existem pedágios e quando tem, são muito baratos, alguns a menos de R$ 1,00
  • No Uruguai, onde tem pedágio é perfeita, mas pegamos um trecho ruim.
  • No Brasil, nos trechos gaúchos, onde passamos, onde tem pedágios não é tão bom quanto deveria e onde não tem, existem trechos péssimos.
  • Foram gastos em torno de 700 litros de Diesel
  • O diesel na Argentina é de 15 a 20% mais barato que no Brasil e no Chile 8%
  • No Uruguai não houve abastecimento
  • Tomamos 70 litros de água durante a viagem (levamos em bombonas, que pedíamos para gelar nas pousadas e colocávamos em uma térmica de 5 litros)
  • Reabastecidas em Bariloche onde a água era ótima.
Parque Aconcágua - Argentina
Parque Aconcágua – Argentina

Quanto às hospedagens, foram muito variadas.

  • 2 noites em Hotel;
  • 5 noites em pousadas;
  • 6 noites em cabanas mobiliadas;
  • 1 noite na casa de parentes.

Relato da viagem

1º dia – De Vacaria a Uruguaiana – Brasil

Distância do dia: 770 Km
Saímos as 7:00 horas da manhã, sem muita pressa, pois só poderíamos entrar na Argentina no dia seguinte, data de início da vigência do seguro Carta Verde que eu fiz para 15 dias.

O início do trecho foi sem muitas novidades, BR 285 razoável, com 3 pedágios até Carazinho.

Ruínas de São miguel das Missões

Ruínas de São Miguel das Missões - RS
Ruínas de São Miguel das Missões

Resolvemos entrar 16 Km, na cidade de São Miguel das Missões, para visitar as Ruínas de São Miguel, pois minha mulher e os filhos ainda não conheciam.

Como já era meio-dia, almoçamos na entrada da cidade e logo seguimos para as Ruínas, que ficam praticamente dentro da cidade. Após espera de meia hora, abriu o parque e entramos. Trata-se das ruínas de uma enorme igreja e muitos alojamentos, construídos pelos jesuítas e índios Guaranis a mais de 300 anos, além de um museu com muitas estátuas esculpidas em madeira e pedra.

Mais sobre São Miguel das Missões

Ponte do Rio Ibicuí- Itaqui
Ponte do Rio Ibicuí- Itaqui – Rio Grande do Sul

Após passar por Itaqui, nos deparamos com uma grande ponte metálica sobre o Rio Ibicuí. Esta ponte foi aproveitada de uma antiga linha de trem, por isso é muito estreita e é controlada por semáforo, comandado por 2 pessoas em 2 guaritas, pois só passa um veículo por vez. Para circular nela, não dá para olhar para os lados, pois é muito estreita e tem 1400 metros de comprimento.

Uruguaiana

Chegamos a Uruguaiana, por volta das 19:00 e fomos direto para a Aduana para trocar Reais por Pesos Argentinos (cotação 1 Real = 1,40 Pesos ) Me informei e encontrei um hotel bem próximo e por um bom preço.
Depois saímos a pé para comer, fomos até a ponte e na praça central da cidade.

2º dia – De Uruguaiana a Santo Cristo – Argentina

Distância do dia: 805 Km / Distância acumulada: 1575 Km

Migração de Passo de Los Libres

Tomamos café no hotel e seguimos viagem por volta das 8:00 horas. Atravessamos a ponte e entramos na Argentina. Logo a frente estava a Aduana Argentina. Primeiro guardas da Germanderia (exército argentino) nos perguntaram para onde íamos e nos mandaram estacionar no pátio para fazer a migração.

Como eu já tinha experiência em uma viagem para o Uruguai, deixei todos os documentos separados em uma pasta. Preenchemos a papelada de entrada na Argentina.
Após alguns carimbos e uma meia hora de burocracia, seguimos viagem.
No dia anterior eu havia me informado no Hotel sobre a polícia corrupta da província de Entre Rios, com um vendedor que me disse para deixar uns trocos separados para propinas, então só deixei na carteira alguns trocados.

Perrengue com a polícia corrupta da Argentina

O início do trecho argentino está todo em obras, pois irão duplicar a Ruta 14 entre Paso de Los Libres e Buenos Aires. Quando cheguei no cruzamento para pegar outra ruta para Santa Fé, um guarda me atacou, e me pediu sem nem uma cerimônia:
– Estamos aceitando uma contribuicion para gasolina.
Comecei a vasculhar minha carteira, procurando 10 pesos, e ele me disse:
– También aceptamos reales.
Entreguei 10 Reais a ele e me desejou boa viagem (o safado). Não era Policial Rodoviário, deveria ser da Germanderia.
Segui viagem, meio apreensivo, pois havia lido muitos relatos da Policia Camiñera, que é a Policia Rodoviária da Argentina, que tem o costume de extorquir os brasileiros, na província de Entre Rios, justamente onde eu estava atravessando.

Todo esse trecho é extremamente reto e plano, coberto por pequenas árvores meio secas, por isso os pássaros faziam seus ninhos nos postes, pois eram mais altos. Aliás, enormes ninhos e era raro um poste sem ninho. O que não faltava eram pássaros atravessando a pista a todo o momento, sem falar dos insetos que se espatifavam no pára-brisa. O calor também era intenso desde o inicio da viagem.

Parei para abastecer na cidade de Federal, pois já havia andado 1000 Km. Uns 60 Km adiante, dentro do previsto, lá estava a Policia Camiñera de Entre Rios. Quando viram que era placa brasileira, me mandaram parar no acostamento.

Começaram a me pedir documentos: do veículo, carteira de motorista, Seguro Carta Verde, matafuego, que é o extintor. Pegou meus documentos, foi para trás da camioneta e ficou observando, até que se dirigiu para o posto e pediu que eu esperasse. Eu logo percebi que iam complicar minha vida. Dali a pouco me chamou, e meus documentos já estavam com outra guarda, com farda diferente, que deveria ser o chefe deles.
Perguntou-me se eu vi a placa na rodovia sobre a velocidade que era de 110 Km p/hora. Eu disse que vi e ele me disse que a camioneta estava irregular pela falta de um adesivo na traseira com a inscrição (110). Eu lhe disse que isso não existia, que só havia visto em caminhões. Ele logo me disse que era uma lei argentina. Eu retruquei, dizendo que havia lido a lei Argentina, e que não havia nada disso, e disse a ele para preencher a multa. Foi quando ele me disse que eu tinha que pagar na hora e que a infração era de 300 a 1000 pesos. Então eu disse que iria até a camioneta e já voltava.

Como eu estava certo que se tratava de algo ilegal, pois nunca se paga uma multa diretamente para a policial eu voltei com 20 pesos e ofereci para o guarda, que já era o outro que me abordou. Fez um teatro dizendo que não queria subornar e que era realmente uma infração legal. Eu lhe disse novamente para preencher a multa e ele queria que eu pagasse sem preencher papel algum. Então eu lhe disse que não tinha dinheiro, somente alguns trocados. Perguntou-me para onde eu estava indo, então inventei que estava indo pra a cidade de Paraná, que ficava logo à frente para visitar um amigo, se dissesse que ia para o Chile, saberia que eu tinha dinheiro. Pediu que eu fosse para a camioneta e esperasse, me deixaram esperando por uns dez minutos, deve fazer parte da tática para me amedrontar ou minar minha resistência.

Chamaram-me e dessa vez me defrontei com o chefe novamente, me dizendo novamente que eu teria que pagar os 300 pesos e eu continuei dizendo que não tinha dinheiro. Ele me disse então que eu deveria voltar à cidade de Federal (60 Km atrás), comprar o adesivo e não poderia mais passar por ali. Então eu disse que voltaria, pois não havia outro jeito, mas isso aumentaria uns 200 Km de percurso. Então ele mandou que eu desse meia volta, me entregou os documentos e pediu que eu voltasse, colocasse o adesivo para poder passar.

Durante o período em que fiquei retido, meia hora, percebi que havia um cruzamento lá na frente, comecei retornar e percebi umas estradas de terra, pensando em um possível desvio, a cidade de Federal estava a 60 Km, mas havia um vilarejo a 6 Km, chamado Sauce de Luna. Chegando lá, parei numa lancheria para almoçarmos e por sorte tinha o tal adesivo para vender, mas o proprietário me alertou que também era exigida a tarja roxa (uma faixa refletiva vermelha para fixar no pára-choque), só que havia terminado seu estoque. Então pensei: “E se eu passo lá e dessa vez me exigem a Tarja Roxa.” Perguntei então se dava para desviar e ele me fez um mapinha. Por sorte a estrada de terra era um desvio perfeito que saia no cruzamento à frente da polícia. Comprei o adesivo por 30 pesos, grudei na traseira da camioneta, segui pelo desvio de uns 3 quilômetros e me mandei.

Túnel subfluvial do Rio Paraná

Túnel subfluvial do Rio Paraná - Argentina
Túnel subfluvial do Rio Paraná – Argentina

A próxima atração estava no grande Rio Paraná que divide as províncias de Entre Rios e Santa Fé, uma cidade para cada lado, Paraná e Santa Fé, ligados por um túnel de 3 Km que incrivelmente passa por baixo do rio. Chegando próximo havia uma placa que dizia: visitas turísticas ao túnel. Resolvemos conferir. Nos levaram para uma sala de vídeos, onde mostraram em um telão todo o processo de construção e funcionamento do túnel, além de maquetes do mesmo.

O túnel foi construído em módulos, tubos gigantes, construídos de 4 por vez, depois instalados no fundo do leito do rio, que no meio tem 30 metros de profundidade, mas os tubos não ficam em contato direto com a água, foram enterrados 3 metros abaixo da areia do rio e acoplados um a um, sendo que a parte de circulação fica no meio do tubo, a parte de baixo serve para drenagem da água da chuva e a parte superior para ventilação e iluminação. Após isso, atravessamos o túnel, meio que sem acreditar que acima de nós estava um enorme rio. Só se vê o rio após sair do túnel e fazer uma curva.

Passamos por outras pontes até chegar à cidade de Santa Fé, onde há outro rio e uma linda ponte suspensa, parecida com a de Florianópolis, enfrentamos um pouco de trânsito e seguimos. Começaram a aparecer algumas plantações, principalmente de girassóis. Exaustos, paramos na pequena cidade de Monte Cristo, em uma pousada. Já eram quase 09:00. Após o banho, fomos jantar.

3º dia – De Santo Cristo a Mendoza – Argentina

Distância do dia: 705 Km / Distância acumulada: 2280 Km

Tomamos o café na pousada, que por lá é chamado de desayuno (desjejum) e, logo à frente, chegamos a Córdoba, a segunda maior cidade da Argentina, pegamos a autopista que circula ao lado e seguimos encarando o trânsito, que foi diminuindo aos poucos. Logo chegamos em Carlos Paz. Pegamos uma ruta denominada ruta de las 100 curvas e seguimos até o Dique São Roque, represa construída no meio da montanha, que tem um enorme furo, onde desce a água com pressão para gerar energia.

Ruta de Altas Cumbres

Altas Cumbres - Córdoba - Argentina
Altas Cumbres – Córdoba – Argentina

Depois de muita estrada plana, finalmente uma serra aparece no horizonte. A Ruta 20 transpõe essa serra e foi nomeada como Ruta de Las Altas Cumbres, pois no cume atinge 2300 metros de altitude. Começamos a subir e as curvas começaram a aparecer. Junto delas a paisagem foi mudando e ficando cada vez mais bonita. Era uma espécie de campo de montanha, que foi ficando cada vez mais cheio de pedras e mais frio conforme se subia. Paramos no local mais alto chamado Pampa de Achala, onde fomos dar uma caminhada. Para todos os lados só se viam pedras.

Caminho das Altas Cumbres
Rio Mina Clavero – Altas Cumbres – Córdoba

Daí em diante começava a descida, logo paramos para fazer uma trilha e ver uma cascata de 100 metros onde nasce o Rio Mina Clavero. Caminhamos uns 500 metros no meio das pedras até chegar à cachoeira, onde tem um canyon. Daí, continuamos descendo até a cidade de Mina Clavero, onde almoçamos em uma pizzaria.

Seguimos em frente e entramos 4 Km para conhecer o Dique de La Viña, uma represa muito alta, com 107 metros de altura, com forma circular entre paredões.
Chegando à pequena cidade de Lujan eu teria que tomar uma decisão: seguir pelo deserto, onde teria que andar uns 350 Km no meio do nada, ou por San Luis, que era 70 Km mais longe, mas tinha cidades pelo caminho. Após alguns cálculos de quilometragem e do horário, achamos que daria tempo de atravessar o deserto e resolvemos enfrentar, rezando para não acontecer nenhum imprevisto.

350 km de deserto até Mendoza

As retas eram intermináveis, no inicio com pequenas árvores, que aos poucos foram diminuindo, e se tornando completamente árido, só areia e arbustos. Nesse trecho, minha esposa dirigiu uns 100 Km, pois ela tirou a carteira há 2 meses. O que me surpreendeu foi a quantidade de cabritos selvagens que encontramos no caminho. Como conseguem sobreviver? Em alguns lugares havia água salobra.

Deserto em Encon - Argentina
Atravessando o deserto

Na divisa de província um policial nos atacou. Completamente sozinho, isolado no meio do deserto, escutando uma música latina. Parecia coisa de filme. Só fazia uma espécie de controle, perguntou para onde íamos e anotou.
De repente, começaram a surgir árvores que cercavam plantações de oliveiras e parreiras de uva, com irrigação que vinha da água do degelo da cordilheira, que começava a aparecer bem ao longe, parecendo nuvens.

Mendoza

Eu tinha o endereço de uma pousada em Mendoza e resolvi procurar, chegando na cidade percebi que era maior do que eu imaginava. Como eu sabia que ficava perto do portão de entrada do Parque San Martin parei num posto de abastecimento e me informei. O frentista me explicou, mas não entendi direito e resolvi pegar uma rua com trânsito caótico, mas que sai próximo ao portão, então foi só seguir cuidando o nome das ruas e encontrei meu destino. Foi a pior e mais cara pousada de toda a viagem, mas como já eram mais de 20:00 horas, em uma grande cidade, achei melhor ficar por ali mesmo.

Cerro da Glória - Mendoza
Cerro da Glória – Mendoza

Conversando com o dono da pousada, que eu não conseguia entender muito bem, ele me disse que seria melhor cambiar Reais por Pesos Chilenos na casa de câmbio ali em Mendoza, pois na aduana chilena o câmbio era muito desfavorável, então pedi a ele para ir junto, pois era bem no centro. Deixamos as crianças na pousada e seguimos. Chegando lá, com trânsito intenso e sem lugar para estacionar, minha esposa foi com o senhor ao câmbio enquanto eu dava voltas na quadra, até eles voltarem. A cotação foi de: 1 real = 237 Pesos Chilenos. Voltamos à pousada muito cansados.

Gostaríamos de ter ficado mais tempo em Mendoza, porém tínhamos uma longa viagem pela frente. Recomendo o artigo do blog Itinerário de Viagem que tem dicas preciosas sobre as vinícolas de Mendoza.

4º dia – Travessia da Cordilheira – De Mendoza (Argentina) a Concon (Chile)

Distância do dia: 420 Km / Distância acumulada: 2700 Km

Neste dia, a expectativa era grande, pois iríamos atravessar a cordilheira e, se possível, chegar até o Oceano Pacífico. Devido ao grande número de atrações, não iríamos percorrer grande quilometragem.

Gelo no Parque Aconcágua - Argentina
Gelo no Parque Aconcágua – Argentina

Cordilheira dos Andes

Saímos por volta das 8:00 horas, seguindo instruções do senhor da pousada para sair de Mendoza, mas quando contornei por baixo de um viaduto, por falta de sinalização eu passei direto. Dei algumas voltas sem achar a saída, parei para me informar novamente, até que consegui.
Peguei uma rodovia duplicada, que saiu na Ruta Internacional 7. Foi quando tivemos pela primeira vez a visão da cordilheira nevada. Muito linda, não parecia real. Paramos para tirar fotos em Potrerillos, onde tem uma represa, e encontramos uns caxienses que disseram que iriam somente até a cordilheira e voltariam.

Conforme se ia adentrando na cordilheira, a altura das montanhas ia aumentando, e a cada curva se modificava o cenário e a coloração do terreno. A vegetação é muito escassa, quase nada.
Durante boa parte do percurso, a Ruta 7 acompanha o Rio Mendoza, onde avistamos diversos botes e caiaques com aventureiros descendo o rio turbulento. Também acompanha todo o percurso da cordilheira uma antiga linha férrea, hoje desativada, cheia de pontes metálicas e túneis.

Cordilheira dos Andes - Ruta 7 - Argentina
Cordilheira dos Andes – Ruta 7 – Argentina

De um ponto em diante, a rodovia é repleta de pequenos túneis encravados entre as rochas e o rio. Chegamos na cidade de Uspallata, onde almoçamos e enchemos o tanque da camioneta, pois no Chile o combustível é mais caro. A cidade fica num ponto onde existe um vale na cordilheira, mas a partir daí vem a parte mais alta.

Mais à frente fica o centro de esqui Los Penitentes, onde existem alguns hotéis e um teleférico que sobe a montanha. A próxima parada foi Puente Del Inca, um vilarejo turístico, onde existe uma ponte natural de pedra, incrivelmente amarela por cima de um rio e um hotel de águas termais que foi abandonado após uma avalanche e hoje é somente um ponto turístico muito diferenciado.

Puente Del Inca - Argentina
Puente Del Inca – Argentina

Parque Aconcágua

Poucos quilômetros adiante, está o Parque do Aconcagua, de onde se tem a vista da maior montanha das Américas, o Cerro Aconcagua , com seus 6.962 metros de altitude. Pagamos uma pequena taxa e seguimos até um estacionamento de carro e depois por uma trilha de 40 minutos a pé, até chegarmos a um lago. Neste ponto, já estávamos a 3.000 metros de altitude, já dava para perceber os efeitos da altitude, parecendo que os passos se tornavam mais lentos. Deste ponto, os alpinistas partem para escalada da montanha e levam 5 dias para chegar a ela.

Avistamos um ponto nevado logo acima que parecia próximo, resolvemos subir até ele, montanha acima, mas logo vimos que não era tão próximo assim, mas prosseguimos até ele. Foi o primeiro contato com a neve. Subimos em cima. Estava firme, mas ficamos com medo, por que estava derretendo por baixo, formando uma espécie de gruta, de onde descia um pequeno riacho gelado.

Túnel internacional Cristo Redentor - Chile
Túnel de 4 Km na entrada do Chile

Túnel Internacional Cristo Redentor

Seguimos viagem e as montanhas cada vez tinham mais pontos com neve, até que chegamos no túnel internacional Cristo Redentor, que é o ponto mais alto do caminho, com 3200 metros de altitude e 4 Km de comprimento. A divisa da Argentina com o Chile fica no meio do túnel, onde tem uma placa indicando. Ao sair na outra ponta já estávamos no Chile, onde paramos para fotos, pois ao lado da saída do túnel havia um monte de neve.

Migração Chilena

Pouco adiante estava a aduana integrada onde levamos uma hora na burocracia de saída da Argentina e entrada no Chile. Lá encontramos um brasileiro de Curitiba, também com uma camioneta. Ele viajava com a mulher e 3 filhos pequenos e ia fazer um percurso parecido com o nosso.

Laguna del Inca e Los Caracoles

Laguna del Inca - Portillo - Argentina
Laguna Del Inca – Chile

Agora, era a vez de descer a cordilheira e, ao contrário do que ocorre no lado argentino que sobe aos poucos, no lado chileno a descida é mais curta e bem mais íngreme, e as montanhas são mais rochosas, num tom escuro. Pouco à frente, paramos no luxuoso hotel e centro de esqui Portillo, onde tem diversos teleféricos e a Laguna del Inca, um enorme lago encravado entre as montanhas nevadas.

Logo após nos deparamos com os chamados “Los Caracoles”, onde a rodovia desce 700 metros de altura, meio que de repente, em curvas muito fechadas em ziguezague, sem nada de muros de proteção, e sem tem uma visão lá de baixo. Daí em diante, a descida continua ao lado do Rio Aconcagua, que desce com uma forte correnteza, montanha abaixo, até chegar à cidade de Los Andes.

Mais sobre a travessia da Cordilheira dos Andes

Los Caracoles - Chile
Los Caracoles – Descida da Cordilheira no lado chileno

Chegando na costa do Pacífico

Optamos por não passar por Santiago, pois além de não possuir muitos atrativos é muito grande, com 6 milhões de habitantes. Então, seguimos direto para Concon, à beira do Oceano Pacífico. Chegamos pelas 8:30 e logo encontramos cabanas para alugar por um bom preço. Tomamos banho e fomos comer umas enpanadas ali perto, espécie de pastéis assados. Não gostamos muito do tempero forte e do preço das gaseosas, como são chamados os refrigerantes lá.

Outro detalhe é que lá anoitece as 10:00 horas da noite e é sempre uma hora mais cedo que no Brasil. Fomos deitar e por uns segundos tudo começou a tremer e porta a bater. Nunca havia passado por nada parecido e logo achei que fosse terremoto, o que foi confirmado dias depois quando encontramos uma família de brasileiros no sul do Chile que nos confirmou que foi notícia o terremoto naquela região.

Mais sobre Concon

5º dia – De Concon a San Carlos – Chile

Distância do dia: 574 Km / Distância acumulada: 3274 Km

Viña del Mar

Seguimos pelo caminho costeiro, que vai sempre margeando o oceano, passamos por um trecho rochoso e logo chegamos em Renaca. O que nos chamou a atenção foi que os edifícios são escalonados, formando uma espécie de escada, acompanhando os morros. Neste ponto paramos para molhar os pés no Pacífico, água muito gelada, mesmo no verão.
Seguindo, chegamos a Viña Del Mar, a mais charmosa praia do Chile, muito bonita, cheia de praças com jardins e lindos edifícios, a praia mais chique que eu já conheci, superando até Punta del Este, no Uruguai.

Mais sobre Viña Del Mar

O que fazer em Valparaíso
Vista do Ascensor Artilleria – Valparaiso

Valparaíso

Chegamos a Valparaíso, cidade histórica cheia de morros onde está o maior porto do Chile. Desde Concon até aqui, as cidades são praticamente emendadas e ligadas por uma linha de metrô. Paramos no início do porto, onde havia dezenas de barcos de pesca e de passeio e, logo à frente,e navios cargueiros e da marinha chilena. Aliás, acho que era o único local possível para se estacionar ali por perto. Seguimos a pé para conhecer o ascensor Artilleria.

Em Valparaíso existem vários ascensores, espécie de vagão sobre trilhos que serve para subir e descer os morros da cidade. São muito antigos, com mais de 100 anos, enquanto um está lá em cima o outro está em baixo. Subimos junto a um casal de turistas holandeses, e lá em cima a vista era linda: enxergava-se toda a parte costeira da cidade até Concon e todo o porto. Caminhamos um pouco lá em cima e descemos novamente, seguindo nossa viagem costeando o mar.

Mais sobre Valparaíso

Conhecendo a maior piscina do mundo

Conhecendo a maior piscina do mundo - Algarrobo - Chile
Conhecendo a maior piscina do mundo – Algarrobo – Chile

Seguimos para Algarrobo para ver a maior piscina do mundo. Trata-se de uma piscina com mais de 1 Km de comprimento, com água do mar filtrada. Ela fica a poucos metros do mar, separada por um muro e uma cerquinha. Só pode usar a piscina quem tem apartamento no luxuoso condomínio com muitos edifícios. Demos a volta pela praia e conseguimos vê-la e tirar algumas fotos.

Mais sobre a maior piscina do mundo

Passamos por San Antonio e depois nos afastamos do litoral, seguindo por uma região de parreirais, até pegar a Ruta 5, que é a principal rodovia do Chile, com mais de 1000 Km toda duplicada, um tapete, mas cheia de pedágios. Paramos para dormir numa pousada à beira da ruta 5, próximo a cidade de San Carlos.

6º dia – De San Carlos a Pucon – Chile

Distância do dia: 456 Km / Distância acumulada: 3730 Km

Próximo à cidade de Los Angeles, paramos em Saltos de Laja, uma enorme cachoeira turística bem próxima à ruta 5. Seguimos em frente até a cidade de Collipulli, onde está o grande viaduto Maleco. Ao lado do viaduto da ruta 5 um enorme viaduto amarelo de trem com mais de 100 metros de altura. Descemos por uma estradinha que ia quase em baixo do viaduto, de onde dava para ver melhor a altura dele.

Pucon

Pucon
Cidade de Pucon e Vulcão Villarrica ao fundo

Mais a frente, na cidade de Freire, deixamos a ruta 5 rumo a Pucon. Foi quando começou uma chuva muito forte, aliás a única de toda a viagem. Paramos para almoçar na cidade de Villarrica, de onde já daria para avistar o vulcão de mesmo nome, mas a chuva não cessava.

Seguimos até Pucon, que fica bem próximo ao vulcão e não sabíamos direito o que fazer. Já que era cedo e continuava garoando, fomos até a praia do lago Villarrica que tem sua areia completamente preta e resolvemos ir até os Ojos de Caburga, lugar com nascentes de água e cachoeira com água completamente esverdeada, onde usamos nossas capas de chuvas descartáveis, a minha só no colocar já se rasgou.

Pucon - Chile
Vulcão Villarrica – Pucon

Voltamos a Pucon, nos hospedamos em uma cabana, e saímos caminhar pela cidade, já que a chuva havia parado, mas ainda não podíamos ver o vulcão. Fui até uma das agências para me informar das expedições para subir até a cratera do vulcão. Teria que pagar 40000 pesos, cerca de 170 reais, reservar as roupas para neve e me apresentar as 7:00 horas do dia seguinte para ver se haveria condições climáticas para a subida. Além de tudo, levaria quase o dia todo. Resolvi que não iria, pois além do custo muito alto, minha família teria de ficar me esperando. Então, iria no dia seguinte de camioneta até onde fosse possível.

7º dia – De Pucon a Puerto Varas

Distância do dia: 420 Km / Distância acumulada: 4150 Km

Vulcão Villarrica

O sol apareceu, mas com a névoa matinal ainda não víamos o vulcão. Por volta das 7:30, saímos em sua direção. Ficava a uns 15 Km. Começamos a subir pelo asfalto de acesso, que logo virou em estrada de terra (melhor dizendo, de areia preta), que lá é chamada de estrada de ripio. Logo o céu limpou totalmente e tivemos finalmente a visão tão esperada do vulcão, todo branco de neve, com fumaça saindo de seu cume. Fantástico! Conforme ia subindo o frio ia ficando intenso, pois havia um vento forte. Na estrada de acesso dava para perceber nos barrancos as camadas de erupção.

Vulcão Villarrica - Pucon
Vulcão Villarrica – Pucon

O Villarrica é um vulcão ativo. Sua ultima erupção foi no ano de 1984, mas a sua cratera está sempre fumegante. Chegamos até onde dava para subir com a camioneta, na base do teleférico do centro de esqui, que não estava em funcionamento. Descemos e quase não dava para aguentar o fri. Eu e meu filho Dener caminhamos uns 500 metros até a parte nevada, quando não deu mais para aguentar, já que estávamos desprevenidos de roupas e ,com o vento, a sensação térmica era de uns 10 graus negativos. Os grupos que iam subir até o topo iam logo na nossa frente e outros se avistavam ao longe mais acima. Logo voltamos à camioneta, que havia congelado e demorou a pegar.

Saiba mais sobre Pucon 

Centro Histórico de Valdívia
Centro Histórico de Valdívia

Rumamos agora para Valdívia. No caminho, quando paramos em fila, pois havia obras na pista, um adolescente nos vendeu um saquinho de amendoim, e fiquei curioso com outro produto que ele tinha para venda. Perguntei o que era e fiquei surpreso, quando me disse que era charque de cavalo. Achamos engraçado e tiramos uma foto.

Valdívia

Chegamos a Valdívia, cidade onde ocorreu o terremoto mais forte da história. Rodeada por rios, possui um mercado muito diversificado, muitos tipos de peixes, frutos do mar, algas marinhas e frutas, além de artesanatos. Os pescadores limpam os peixes na beira do rio, enquanto lobos marinhos disputam os restos com as gaivotas e outros pássaros.

Após almoçar e dar um passeio pelo local, fomos até o Forte Niebla, onde foi nosso último contato com o Oceano Pacífico. No local visitamos o forte a beira mar com seus canhões e seu museu. Voltamos para Valdívia, de onde saímos por outro caminho até a ruta 5, de onde seguimos viagem para o sul, com destino a Puerto Varas.

Chegando em Puerto Varas logo alugamos uma bela cabana, toda equipada, onde ficaríamos por 2 dias. Um detalhe é que no Chile todas as cabanas possuem banheira, aquecedor a gás e TV a cabo. Fomos ao supermercado fazer compras.

8º dia – Puerto Varas

Distância do dia: 170 Km / Distância acumulada: 4320 Km

Saltos Petruhué

Saímos por volta das 8:30 da manhã para visitar os Saltos de Petruhué, a uns 60 Km dali. Chegamos lá, pagamos os ingressos e entramos no Parque. Logo nos deparamos com uma encruzilhada e resolvemos pegar a da direita. Começamos a andar e andar pelo meio do mato e nunca chegávamos às cachoeiras, até que chegamos no mesmo ponto de onde havíamos saído e percebemos que era somente uma trilha em círculo. Pegamos a trilha da esquerda e a grande atração estava logo ali: o rio Petruhué com suas águas verde-esmeralda e cachoeiras entre as rochas negras derretidas pela última erupção do Vulcão Osorno, que fica logo ao lado. Caminhamos pelas passarelas, onde a água desce por um canal com força impressionante. Pena o vulcão estar encoberto pelas nuvens, pois enfeitaria mais a paisagem.

Saltos Petruhué - Puerto Varas - Chile
Saltos Petruhué – Puerto Varas – Chile

Deixamos o parque e seguimos pela estrada cercada por coníferas, até que surgiu uma clareira e resolvi parar para tirar fotos das corredeiras do rio. Resolvi estacionar a camioneta entre dois carros na beira do rio. Minha esposa desceu e viu um envelope no chão e pediu ao Dener que juntasse, imaginando haver dinheiro dentro. E não é que havia mesmo! Abriu o pacote e estava recheado: eram 100.000 pesos chilenos. Convertendo em reais dava em torno de 420. Foi uma festa!

Seguimos até o Lago de Todos os Santos, com sua água extremamente transparente, e caminhamos por um trapiche. Na ponta, dava uns 5 metros de profundidade e dava para enxergar perfeitamente o fundo. Lá encontramos uma família de brasileiros. Eram de Goiânia, só que viajavam de avião e carro alugado. Foram eles que confirmaram sobre o terremoto em Concon, há uns 4 dias atrás.

Vulcão Osorno - Chile
Vulcão Osorno

Vulcão Osorno

Voltamos e pegamos o cruzamento rumo ao Vulcão Osorno, que continuava encoberto. Fomos subindo cada vez mais pelo asfalto estreito com curvas muito fechadas, até que chegamos à base do centro de esqui. Talvez por ser segunda-feira e o tempo estar encoberto, o teleférico não estava em funcionamento. Eu e a minha filha Kelen resolvemos subir um pedaço a pé, já que a temperatura estava agradável. Caminhamos um pouco montanha acima pelas areias negras até pontos de neve e retornamos. Voltamos a Puerto Varas, onde tiramos o resto do dia para descansar.

Mais sobre Puerto Varas

9º dia – De Puerto Varas (Chile) a Bariloche (Argentina)

Distância do dia: 390 Km / Distância acumulada: 4710 Km

Saímos de Puerto Varas cedo. Hoje, atravessaríamos a cordilheira 1000 Km mais ao sul do ponto onde entramos no Chile. Deveríamos voltar pela ruta 5 até a cidade de Osorno, para então pegar a ruta internacional para Bariloche, na Argentina, mas resolvemos pegar outra ruta alternativa até Osorno. Quando cheguei na cidade comecei a dar voltas e não achava mais a saída, talvez por falta de sinalização. Após pedir informações algumas vezes, consegui sair.

Passo Internacional Samuré
Passo Internacional Samuré

Atravessando a Cordilheira

A cordilheira, neste ponto, é bem diferente, pois se mistura o branco dos picos nevados com a cor escura das rochas e muito verde das florestas de coníferas, mas neste ponto a altitude é menor.
Demos saída do Chile na Aduana, e entrada na Argentina alguns quilômetros depois, sem problemas. Aproveitei a casa de câmbio e troquei os pesos chilenos que sobraram por argentinos. Quando passamos pela última guarita o guarda falou: – Brasileiros, torcedores del Grêmio. Confirmamos que sim, achando que o Grêmio tem fama por lá, pois não tínhamos nada aparecendo que demonstrasse que éramos gremistas.

Lago Espejo - Vila Angostura - Argentina
Lago Espejo – Vila Angostura

A próxima parada foi o mirante do Lago Espejo, linda vista do lago incrivelmente azul entra matas verdes e a cordilheira nevada ao fundo. Essa é a chamada Região dos Lagos, um mais lindo que o outro, todos com água muito transparente. Logo avistamos Bariloche, no outro lado do lago.

Bariloche

Contornamos e logo chegamos. A cidade é linda, à beira do Lago Nahuel Huapi e cercada por montanhas com picos nevados. Paramos no centro Cívico, no centro de informações, onde nos deram mapas e informações de hospedagem. Alugamos uma cabana para 2 dias e nos instalamos. Fui ao mercado fazer umas compras, e me assustei com os preços. Acho que é devido à distância, pois Bariloche fica entre montanhas e regiões desertas. Tudo tem que vir de longe.

Centro Cívico - Bariloche
Centro Cívico – Bariloche

10º dia – Passeios em Bariloche

Distância do dia: 80 Km / Distância acumulada: 4790 Km

Cerro catedral

Saímos cedo para conhecer o Cerro Catedral, maior centro de esqui da América do Sul. Chegando lá, tivemos que esperar meia hora até começarem a funcionar os bondinhos e teleféricos, que começam às 9:00 horas. O preço era meio salgado, 185 pesos para os quatro (em torno de 130 reais), mas achamos que valia a pena. Na base do cerro existe praticamente uma pequena cidade, chamada de Vila Catedral, com muitos hotéis, restaurantes e lojas de aluguel de equipamentos para esportes de neve. No inverno, tudo fica lotado. Dizem que vão muitos brasileiros para lá. Existem muitos teleféricos que fazem a subida. Para turistas, como nós, era através do bondinho fechado.

Cerro Catedral - Bariloche
Cerro Catedral – Bariloche

Aproveitamos a primeira subida, junto com os funcionários que trabalham lá em cima. A subida é muito longa, mas o bondinho não vai até o topo. A gente desce na estação e pega então um teleférico para complementar a subida.

Chegando lá, a visão é magnífica, entre as montanhas e os lagos lá em baixo.
Fizemos caminhadas por cima da montanha, que tinha muitos pontos com neve, à 2000 metros de altitude. Fazia um certo frio, mas era suportável. Nos disseram que há 4 dias atrás havia nevado e a montanha ficou toda branca. Pena que não estávamos lá. Depois de algum tempo, descemos, apreciando a vista.

Cerro Campanário

Cerro Campanário - Bariloche
Cerro Campanário – Bariloche

Fomos então ao Cerro Campanário, com subida também por teleférico, com um preço bem mais baixo, onde dizem se ter uma das mais belas vistas do mundo. Chegando lá em cima, realmente é impressionante a beleza. Tem-se a vista de dezenas de lagos, entre as montanhas e florestas, para todos os lados. Pena que o vento lá em cima estava forte. Bem no topo tem uma confeitaria, onde fizemos um lanche com aquela vista maravilhosa.

Após caminhar um pouco lá em cima e apreciar a vista, descemos e seguimos pelo Circuito Chico, um roteiro entre lagos, matas e montanhas. Voltamos a Bariloche e fomos passear a pé pelo centro. Depois ficamos o resto da tarde na cabana descansando, pois no próximo dia a viagem seria longa.

Mais sobre Bariloche

11º dia – De Bariloche a General Acha – Argentina

Distância do dia: 880 Km / Distância acumulada: 5670 Km

Passaríamos um dia de Natal diferente, viajando por uma região desértica da Argentina. Preparamos um lanche especial, comprado no mercado no dia anterior, pois seria difícil achar algo aberto para comer neste dia, principalmente nessa região. Saímos cedo, por volta das 7:00 horas, pois teríamos que rodar quase 900 Km para não ficar no meio do deserto.

Um pedaço da Patagônia

Rio Limay - Patagônia Argentina
Rio Limay, próximo à Bariloche

Logo que saímos de Bariloche começa a estepe da Patagônia, região muito bonita. A água do lago forma o Rio Limay, que nos acompanha por muito tempo, formando verdadeiros oásis verdes no meio de vegetação cinza da estepe. As montanhas vão diminuindo cada vez mais, até que temos as últimas visões da cordilheira e o Vulcão Lanin, ao longe. O Rio Limay se transforma em lagos devido a diversas hidrelétricas construídas em seu curso. Após uns 200 Km no meio do nada, chegamos a Piedra del Águila, pequena cidade incrustada entre formações rochosas.

Represa em Piedra del Aguila - Argentina
Represa em Piedra del Aguila

El Chocon

Enchemos o tanque da camioneta e seguimos até El Chocon, a cidade dos dinossauros, pequena cidade no meio do deserto, na beira de uma represa. Paramos debaixo de umas árvores para fazer nosso lanche. Aliás, árvores ali, somente na beira do lago.
Fomos até o museu para ver os esqueletos de dinossauros, mas, por azar, por ser o dia de Natal, só abriria as 3:00 da tarde, e não poderíamos esperar.

Piedra del Aguila - Argentina
Piedra del Aguila – Argentina

Então seguimos até Neuquen, capital da província de mesmo nome, no meio do deserto mas na beira da junção de 2 rios que vêm da cordilheira. Aqui começa a região produtora de maças argentinas, tudo com irrigação.

Atravessamos a cidade, e alguns quilômetros adiante encontramos o único acidente de trânsito visto em toda a viagem. Um monte de corvos sobrevoando, um cachorro morto na estrada, um corvo morto logo a frente e, um pouco adiante, um automóvel com o pára-brisa quebrado e o dono olhando. Logo deduzi que o carro havia recém atropelado o corvo.
Passamos por um lindo balneário repleto de gente se banhando e, agora sim, entraríamos no forte do deserto. Eram uns 400 Km de nada pela frente.

400 km de deserto

Deserto em Catriel - Argentina
Deserto em Catriel – Argentina

Na região de Catriel existem centenas de poços de petróleo com máquinas bombeando, chamadas Carneiros.Depois não se vê mais nada, apenas areias e arbustos secos, com retas intermináveis. Marcamos a distância de uma reta: levou 64 Km para ter uma curva. O problema de dirigir num lugar assim é o sono. Tinha que parar de vez em quando. Minha esposa dirigiu mais um pouco naquelas retas. Até que a paisagem começou a apresentar campos mais verdes, as criações de gado começaram a aparecer, o deserto terminou e chegamos em General Acha, onde passamos a noite num hotel à beira da rodovia.

12º dia – De General Acha a Nogoya – Argentina

Distância do dia: 877 Km / Distância acumulada: 6547 Km

Estávamos já com pouco dinheiro argentino, e resolvemos procurar uma casa de câmbio em Santa Rosa, capital da província de La Pampa. Fomos até o centro, onde nos disseram que havia uma, mas não encontramos. No banco de lá não trocavam reais. Então a saída foi sempre parar nos postos YPF, que tem em toda a Argentina, para abastecer e comer, onde aceitam o cartão do HSBC, com rede Visa, e assim fizemos.

Plantação de girassóis - ArgentinaPassamos por uma região com muitas plantações, principalmente de girassol e chegamos em Rosário, uma das maiores cidades da Argentina. Pegamos a autopista que saiu direto em uma enorme ponte de 3 Km sobre o Rio Paraná, inaugurada há pouco tempo. Havia uma área inundada de 50 Km, cheia de pontes, até a cidade de Victória.

Estávamos de novo na província de Entre Rios, e logo lembrei da polícia corrupta que enfrentei na ida. Agora, estávamos mais ao sul, mas não deu outra: lá estavam eles! Ao verem que éramos brasileiros, mandaram-me encostar. Pediram-me toda a documentação, extintor e os triângulos e, desta vez, me liberaram sem problemas.

Ponte Rio Paraná - Rosário - Argentina
Ponte Rio Paraná – Rosário

Fomos até a cidade de Nogoya e ficamos em uma hospedagem onde estavam fazendo uma parillada, o churrasco argentino, que é assado em cima de uma grade com brasas em baixo e fogo ao lado. Como é muito quente no local, à noite colocam as mesas para fora, no pátio do restaurante. Aproveitamos o churrasco e subimos para o quarto.

13º dia – De Nogoya (Argentina) a Livramento (Brasil)

Distância do dia: 533 Km / Distância acumulada: 7080 Km

Saímos com o objetivo de chegar a Rivera, no Uruguai, pela 3 horas da tarde, para fazermos umas compras. Chegando em Colon, próximo à fronteira com o Uruguai, enchi o tanque da camioneta e eliminei o resto de pesos argentinos. Só me restaram 12 pesos; achei que não precisaria mais.

Perrengue na fronteira entre Argentina e Uruguai

Chegando próximo à ponte internacional, me deparei com uma enorme fila de argentinos para atravessar a fronteira. Ficamos parados ali com um sol de rachar. Levamos 4 horas até entrar no Uruguai.

Enquanto estava na fila fiz amizade com um argentino, que estava indo para Atlântida, uma praia do Uruguai que eu já conhecia. Os 12 pesos que nos restavam foram usados para comprar uns sanduíches e uma coca num posto ali perto, pois passamos o meio-dia na fila. Quando estávamos bem próximos da aduana, a minha esposa foi à Aduana procurar uma casa de câmbio para trocar reais por pesos uruguaios, e, para nossa surpresa, não existia câmbio na aduana. O pior é que havia um pedágio a pagar, na entrada da aduana, mas disseram que lá aceitavam reais.

Ponte Rio Uruguai - Paysandu
Ponte Rio Uruguai, na divisa entre Uruguai e Argentina

Chegou a minha vez de pagar o pedágio e só aceitavam pesos argentinos, uruguaios ou dólares. Eu só tinha reais, e ficamos num impasse, sem saber o que fazer. O chefe deles veio bravo, dizendo que a fila estava com 4 Km e não podia parar. Eu disse que havia passado por diversas aduanas e todas tinham câmbio, e essa era a primeira que não tinha. Eu estava determinado a não sair da fila. Eles que me liberassem sem pagar. Se saísse, como ia entrar novamente. Alguns minutos depois, ele voltou e queria que eu saísse da fila e estacionasse para um lado. O valor do pedágio era de 14 pesos argentinos.

Desci da camioneta e fui até o carro de trás que era o do argentino, meu amigo. Pedi a ele para fazer um câmbio comigo só no valor do pedágio e ele me ajudou. Não sei o que faria com meus reais depois, mas foi minha salvação. Agradeci a ele e me mandei.

Pensei então que seria um problema se tivesse mais pedágios na travessia dos 350 Km pelo Uruguai, pois não tinha nada de pesos uruguaios. Poucos quilômetros à frente, me deparei com um pedágio, mas, por sorte, aceitavam reais. Cheguei na fronteira. Já eram 6:20 horas, e ainda deu para fazer algumas compras. Ficamos em uma pousada em Livramento, já em território brasileiro.

14º dia – De Livramento a Caxias do Sul – Brasil

Distância do dia: 600 Km / Distância acumulada: 7680 Km

Igreja matriz de Venâncio Aires
Igreja matriz de Venâncio Aires – Rio Grande do Sul

Resolvi ir por Santa Maria para conhecer o trecho: Rosário do Sul, Cacequi, Santa Maria, Santa Cruz, Venâncio Aires, Lajeado, Garibaldi, chegando a Caxias do Sul. Entramos em Venâncio Aires para conhecer o centro e tomar um sorvete. Lugar muito bonito, bem arborizado e com uma linda catedral. Pousamos em Caxias na casa da irmã da cunhada.

15º dia – de Caxias a Vacaria – Brasil

Distância do dia: 120 Km / Distância acumulada: 7800 Km

Mapa da viagem por Argentina e Chile de carro

Dicas gerais da Viagem de carro – Chile e Argentina

– Um site interessante para informações, distâncias e melhores rotas sobre as estradas argentinas e chilenas é o Ruta 0
– Cuidado com os longos trechos sem abastecimento, passei por trechos no deserto com 300 Km sem nem um posto. O mesmo vale para água e refeições.
– No Chile, nunca ofereça propina aos guardas. Você pode ir preso, por isso.
– Não se deixe intimidar pela Policia Caminera Argentina, fui firme em não ceder a extorsão e não paguei a suposta multa como queriam. Leia o relato do 2º dia.
– Se pedirem uma contribuição, não vale a pena se complicar. Dê uns 10 pesos e siga sua viagem.

Vai viajar para o exterior e tem muitas dúvidas?
Consulte o artigo Passo a passo para planejar uma viagem no exterior no blog Foco no Mundo.
Leia também o artigo 12 perguntas e respostas sobre viajar para Argentina e Chile de carro no blog Mapa na Mão.

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Jair Prandi
Editor, fotógrafo, videomaker, e influenciador digital do Viagens e Caminhos. Apaixonado por viagens com toques de aventura, criou esse blog de viagens para compartilhar suas experiências.

21 COMENTÁRIOS

  1. muito bem explicado tinha vontade de fazer este percurso mais depois de tanta corupção na policia jamais vou a terra desses abutres pois ja fui de navio algumas vezes e foi só decepção vou fazer algo parecido na europa longe desses sulamericanos .parabéns pela sua dedicação de explicar e mostrar o roteiro .

  2. —Ótima postagem! Só para lembrar que gorjeta da Argentina se chama "propina". Para nós propina que dizer… Um dinheirinho a mais o"por baixo dos panos". A Argentina tem o histórico da gorjeta.
    —Desde 1996/1997 até hoje, Agosto de 2015, foram 8 expedições a Argentina, sendo que em uma extendêmo-nos até o Chile. Conheça meu blog: thomaschulze.blogspot.com.
    Boas aventuras!!!

    • Obrigado, Michela! Seu artigo complementa muito bem nosso post, já que oferece informações preciosas para planejar uma viagem de aventura como essa.
      Um grande abraço!

      • Sabes, estava aqui lembrando dos policiais corruptos, que coisa terrível e triste né? Sabes a nossa tática? Quando eles nos paravam, eu pegava a câmera, minha filha o celular e começávamos a gravar. Um só nos cobrou propina, os outros não. Acho que funcionou. Deu saudade agora desta viagem lendo o teu post…

  3. Que maravilha de viagem! Eu já fiz um pouco mais que isso de ônibus em 1997, só que além do sul do Chile fomos até o deserto do Atacama, lembrando que saímos de Brasília. Nem consigo contar quantos km foram kkkkk. As paisagens são muito diversas mesmo. Sobre os policiais argentinos, que chato começar a viagem assim né? Show de bola seu relato!

    • Obrigado! Adriana!
      Essa foi uma viagem que realmente deixou saudades. Hoje não faço viagens tão longas de carro. Em vez disso, vou de avião até um ponto e alugo um carro.

  4. Post para favoritar! Dicas preciosas e trajeto maravilhoso!
    Eu ia fazer metade deste teu percurso anos atràs e teria me estrepado com a policia deles. Nao iria aceitar pagar multa sem recibo, mas certamente iriam me prejudicar!

    • Adoro estas viagem no estilo aventura, ainda ontem estava assistindo o Globo Repórter e me deu uma saudade da viagem que fiz para o Peru, onde aluguei um carro e rodei 2000 km por desertos e montanhas do país.

  5. Mas que grande aventura! Adorava fazer o que tu fizeste! 8000 km de estrada é muita coisa. Fiquei apaixonado pelas fotos da Patagónia, pela Cordilheira dos Andes e até da maior piscina do mundo, que dava imenso jeito para relaxar depois de tanta estrada. Abraço!

  6. Que sonho essa viagem! Viajar de carro é sinônimo de liberdade!Na plantação de girassóis por exemplo, eu teria perdido um bom tempo…rs… Quanto aos perrengues… faz parte, né?! Belo roteiro! bjos!

    • Programar uma viagem como está dá muito trabalho! Os contratempos acontecem, mas não tem preço! Ficaram para sempre as imagens e boas lembranças desta aventura!
      Um grande abraço!

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