O mal da altitude (Soroche) é um distúrbio causado pela falta de oxigênio, comum em regiões de altitude elevada, como no Altiplano Andino.

Durante nossa viagem pelo Altiplano do Peru enfrentamos altitude de até 4900 m, e na Bolívia, fomos até 5421 m no Pico Chacaltaya. O ar rarefeito destas altitudes extremas gera aumento da frequência cardíaca. As consequências são: Falta de ar, dores de cabeça, cansaço, embrulho no estômago, ou simplesmente um mal-estar.

Saiba tudo sobre o mal da altitude e o que deve ser feito para minimizar suas consequências!

Mirante do Condor - Cânion Colca - Peru
Mirante do Condor – Cânion Colca – Peru

O que é mal da altitude

O mal da altitude é conhecido também como mal da montanha ou Soroche. É um distúrbio causado pela falta de oxigênio em altitudes elevadas. Quanto maior a altitude, menor será a pressão atmosférica e com isso haverá menor quantidade de moléculas de oxigênio no ar.

Com menos oxigênio no ar, a frequência e profundidade da respiração aumentam. Esta diferença altera o equilíbrio do pulmão, eleva a alcalinidade do sangue e altera a distribuição de sais nas células. Como consequência, há uma má distribuição entre o sangue e os tecidos.

Chacaltaya - Bolívia
Trilha do monte Chacaltaya – 5421 m de altitude

Em que altitude o mal da montanha aparece

Os efeitos da altitude geralmente aparecem acima de 2.800 metros, porém tem pessoas que sentem mais, outras, nem tanto. Também depende de alguns fatores, por exemplo:

Se a ascensão for rápida: Sair de um lugar baixo para um lugar alto de repente, a tendência é sentir bastante. Um exemplo disso foi em nossa viagem à Bolívia. Onde moramos no Brasil, a altitude é de 950 m, pegamos alguns voos e chegamos pelo aeroporto de El Alto, que tem altitude de 4150 m. O ideal seria ir subindo aos poucos, para acostumar.

Se você for sedentário: Naturalmente, uma pessoa que faz exercícios intensos, como correr ou jogar futebol, terá uma melhor capacidade pulmonar. Com isso, teoricamente não sentirá tanto o mal da altitude. Já uma pessoa sedentária tende a sofrer mais.

Altitude do Peru
Trecho de nossa viagem no Peru, entre Puno e Moquegua (4592 m)

Sintomas do mal da montanha

Os sintomas do Soroche em geral, são: Falta de ar, dor de cabeça, aumento da frequência cardíaca, cansaço fácil, náusea, vômito e distúrbios do sono, ou apenas uma sensação desagradável.

Estes sintomas tendem a aparecer algumas horas depois da chegada em um lugar de bastante altitude. Geralmente o mal da montanha é mais comum em pessoas jovens do que entre as mais velhas.
Os casos mais leves se resolvem em um período de um a três dias e os mais graves podem necessitar de medicamentos, oxigênio, e a volta para um local de altitude mais baixa.

Em casos mais graves, especialmente os montanhistas que enfrentam altitudes ainda mais extremas podem sofrer um edema pulmonar ou até mesmo edema cerebral.

Gêiser Sol de La Mañana - Bolívia
Gêiser Sol de La Mañana, na Bolívia (4850 m)

Como prevenir os sintomas

A prevenção correta é realizar a ascensão lentamente. Levar dois dias para atingir a altitude de 2.500 metros e mais 1 dia para cada 500 metros adicionais. Estar com um bom condicionamento físico também pode ajudar.
Como podem ver, para prevenir precisa de vários dias. Desta forma, para ir a La Paz, por exemplo, precisaria ir a um lugar mais baixo primeiro para dali a uns 4 dias chegar aos 3600 m da cidade. A gente sabe que quem está em viagem quase nunca tem este tempo, então, em vez de prevenir, precisa minimizar os efeitos.

Como amenizar os sintomas

Bala de Coca
Bala de Coca, vendida no Peru e Bolívia para amenizar o mal da altitude

Para quem não tem o tempo de aclimatação (ir aumentando a altitude aos poucos), como foi nosso caso, há maneiras de diminuir os efeitos do Soroche, confira!

  • Evitar esforços físicos no primeiro dia. Faça passeios que sejam mais tranquilos, sem longas caminhadas.
  • Ingerir bastante líquidos
  • Procurar comer alimentos leves e evitar alimentos muito salgados
  • Evitar bebidas alcoólicas
  • Tomar chá de Coca, mascar as folhas ou chupar balas de Coca. De preferência de manhã ou até o meio dia. Evite tomar o chá à noite, como é um estimulante, pode tirar seu sono.
  • Tomar Sorojchi Pills se necessário. São remédios industrializados que combatem o mal da montanha, vendidos livremente em farmácias em cidades de altitude.

Sobre o chá de Coca

Sempre que falamos que tomamos chá de Coca, o povo já acha que estamos nos drogando. A Coca (Erythroxylum Coca) é uma planta medicinal reconhecida desde os tempos dos Incas.

Chá de Coca
Chá de Coca, muito comum nas regiões altas dos Andes

É um arbusto nativo do altiplano Andino que atingem perto de 2 m de altura. Suas folhas são colhidas quando começam a enrolar para o consumo. São encontradas por tudo nas regiões de altitude: Vendidas nos mercados populares, servidas nos hotéis e consumidas em casa pelos próprios moradores.
Além do chá, dá para simplesmente mascar as folhas. Também existem as balas de Coca, vendidas nos mercados.

Efeitos curativos do Chá de Coca chá

O chá de coca é benéfico para diminuir os efeitos do mal da altitude. É um estimulante que incrementa a absorção de oxigênio pelo organismo. Também tem ação digestiva e curativa na recuperação de energia e diminuição do cansaço. O chá de coca tem propriedades antioxidantes e contêm altas concentrações de vitaminas A, B2, B6, C e E.

Folha de Coca é droga

A folha de Coca não é Cocaína, nem derivado. Quando mascada ou em chá, não tem nenhum risco de dependência. O processo usado para fazer chá da folha de coca é muito diferente do processo usado para extrair a cocaína.

Viagens e Caminhos - Machu Pichu
Machu Pichu não é tão alta como muitos imaginam, são apenas 2800 m

Tratamento para o mal da altitude

Geralmente, nos casos mais leves, os sintomas da doença da altitude desaparecem em um ou dois dias somente com a ingestão de uma quantidade maior de líquido. Mas existem casos e edema pulmonar em altitudes muito elevadas que pode ser fatais.
Para casos mais graves a solução é descer para um local de menos altitude e repouso com administração de oxigênio.

Os montanhistas usam para casos graves o dispositivo chamado de saco hiperbárico, como medida de emergência.
A pessoa afetada é colocada dentro deste saco que é bem fechado e a pressão em seu interior é aumentada com a bomba. Assim é como a pessoa estivesse em um local de menor altitude.

Salar de Uyuni - Bolívia
Salar de Uyuni, na Bolívia. Um deserto de sal a 3600 m de altitude

Como foi nossa experiência em grandes altitudes

Nós do Viagens e Caminhos fizemos 2 viagens em lugares de grande altitude:
A primeira foi para o Peru, onde ficamos uma semana e rodamos 2000 km pelo Altiplano do país. Enfrentamos altitudes entre 2800 m até 4900 m próximo ao Cânion Colca.
A segunda viagem foi pata Bolívia em altitudes ainda maiores, entre 3200 m e 5420 m no monte Chacaltaya.

Monte Chacaltaya
na subida ao Monte Chacaltaya (5421 m) foi onde mais sentidos a altitude em nossas viagens

Felizmente para nós, os efeitos não passaram de um mal-estar e uma leve dor de cabeça nos primeiros dias. Na viagem mais recente pela Bolívia tomei apenas um chá de Coca na primeira manhã e chupei algumas balas durante a viagem.

Em La Paz, no primeiro dia, fizemos caminhadas em dois cânion a quase 4000 m (Valle de Las Ánimas e Cânion de Palca), sem problemas. No segundo dia fomos ao Monte Chacaltaya a 5421 m. Na pequena subida feita nesta altitude senti bastante, o cansaço e a falta de ar foram intensos, por momentos, mas para caminhar no plano amenizava. Do terceiro dia em diante seguimos para Uyuni, sempre em altitudes de 3500 a 4500 m, mas já estávamos habituados e foi tranquilo.

Leia também:
Lugares que visitamos na Bolívia
Lugares que visitamos no Peru

 


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Jair Prandi
Editor, fotógrafo, videomaker, e influenciador digital do Viagens e Caminhos. Apaixonado por viagens com toques de aventura, criou esse blog de viagens para compartilhar suas experiências.

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